quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sou Bentinho!

Pleure, petite, pleure...

Hoje, de pé inchado por uma torção no tornozelo, pensei em muitas coisas. Vi Dom Casmurro com os olhos abertos, inclinados, dissimulados. Olhei e por um segundo me vi, mas não foi uma só identificação, talvez com algum ato, mas com todos.

Sou Bentinho!

Os mesmos modos, segredos e a falta de motivação pra fazer o que deseja. Os mesmos pensamentos e sonhos movidos unicamente pelo amor. As mesmas sementes de ódio e ciume plantadas com todo afã na alma. Essa é minha vida, meio levada aos barrancos. Onde tudo dá certo, mas com um final já errado.

Fico pensando nas possibilidades, e nos sonhos e apenas me enxergo naturalmente perdido. Porque sei que por mais que eu queira, sempre vou ser um ingenuo garoto. E que quem sabe com o tempo veja esta vida antiga perdida de tais encantos.

Talvez sim, talvez não...

O melhor é ser um fantasma, ou um escritor: "Aí vinde outra vez, inquietas sombras!?"

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

No Estado Nirvana

Oco da cabeça pensante, vazia...
Olhos pesados vendo o horizonte negro das palpebras
e de um balanço cadente de ombro
imaginando outra definição de mundo

De luzes alaranjadas dos postes a noite
da fissura pelos sentimentos orgásticos
fortes, enebrientes e impacientes
Espera que é melhor, espera.

Espero ou não espero?
E se eu puder contar que tu não tens medo?
Medo não, mas e gosto, tem?

O jeito é te perguntar de todo o jeito.
Posso te pedir pra se entregar como me pediram?
Eu quero muito te proteger.

domingo, 17 de outubro de 2010

Pedido de Negação, aceito.

Minha tristeza cresce a cada palmo de orgulho
cada teoria se transforma em vazio
meu olhar expressivo já confundi
mas teu espelho vai te mostrar a realidade

Empunhos de um garrafa pela metade
de destilado e de todo ardor da alma
vejo com sobriedade toda a minha vida
e sei agora que não passa de uma chance

A minha vida será uma jogatina suja?
Por quem? Pra se viver quase bem?
Carregando a máxima súplice do pecado.

Eu te pedi, e tu não quiseras
não tomo como rejeição, é apenas uma negação
só quero que aceite o fato como eu aceitei.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Não te ouço...

A maior dor não é a de escrever
mas a de ouvir o coração.
Cê sabe o que ele diz?

domingo, 10 de outubro de 2010

Discurso ante o Poeta

Numa noite eis que o homem toma a verdade
que bate pesada em seu peito
a verdade do funeral do seu querido eu
o poeta que tanto amou, enfim morreu.

E nos seus olhos a dor tomada não expressa
ele apenas observa o caixão sendo velado
e o ultimo adeus aquele espelho
que pedia por ao menos um ultimo discurso

E assim eu disse:
Eu amei meu eu, com mais profundeza de ser
e este era minha segunda alma, a interior

Então neste ultimo momento de vertigem
frente ao espelho de minha propria essência
morro contigo e com meu amor.

(Eis que o homem se joga em direção ao espelho, ou como chamam, amor.)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Hedonismo I

Eu sei, já parece esquecido...

É natural que isto fosse acontecer. Que talvez, em algum momento, eu pudesse perder a forma e vontade que tinha de escrever quando comecei aqui a expor algumas idéias. E finalmente esta força que começou a alguns meses me abateu agora em cheio, e agora não tenho mais sobre o que dizer.

Por isso mesmo escrevo isto, esta tentativa frustrada de escrever até o porque de não estar escrevendo, procurando um motivo pra tal. Na verdade o fato é que o amor me leva a escrever e me motiva a pensar. Há de ser melhor, sempre.

Agora estou crucificado a idéia de que não posso mas fazer nada a não ser esperar, e me sentar por aí. Aproveitando figos, maçãs, loucuras...

Está é a vida do G.T.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mademoiselle...

Meu coração arde em fúrias contritas
Numa cidade de prédios que apontam para o céu
Nada encontro além da abóboda celeste
E nenhum sonho me refugia da vida erguida

Assim como estes prédios me ergo em semblante
E observo de cima todo este tique-tique afrancesado
Estes passinhos lépidos, outros tanto brutos
E que não tiram este pesar assíduo

Esta dor que me condena passageiramente
Que me lembra as coisas que passaram despercebidas
E que eu sempre reclamei destes amores imperfeitos
Que mal compreendidos passavam a se chamar, amargo.

Amargo estou agora, sem a ninguém amar
Nenhuma fagulha de qualquer sentimento
Nem pena, nem ódio...
Nem amor, nem vaidade

Tudo é vaidade, e vaidade de vaidade
Morro então pela sincera melodia da verdade fajuta
Que apenas merece se viver com a mulher que se ama
E isto é o pedaço de cada um na terra

Mas como fico se há ninguém amo, mademoiselle?